Quem sou para mim? Só uma sensação minha. Fernando Pessoa
Hoje percebi que escorria meu rosto pelo ralo. Fiquei ali. Parada. Irresoluta. Ia pelo buraco da pia, líqüido como magia ... o meu rosto. Como eu não dormia não havia de ser sonho. Isso eu sabia. Mas não sabia que justo hoje aquela que eu conhecera agora descia sem aviso ou mácula pela via hidráullica. Tal qual fora. Tal qual sonho.
O que ficou nem bem sei ao certo. Um novo elo formou-se e aquilo que fui agora é aberto no espelho como um horizonte. Insípido, liso, disperso. Não sei se agora ou se espero. Quando me olho não sei se te quero. E mesmo a percepção outrora confusa não faz bem renovada pois vi: difusa.
Como posso abrir a porta e sair vida? Esvaiu-se ainda agora aquilo que me fazia. Quem é você no espelho e com quem se parecia? Responde agora espectro, o cunho da profecia: Será que eu sorria?
tantas palavras que se completam, pensamentos quase musicais, irreais, que vem e vão. todo aquele cheiro de papel queimado, as cartas foram embora, assim como os sentimentos que mal conseguiram aparecer.
é quase igual ao que você me disse, o sol amanhecendo e a gente sem dormir, os olhos vermelhos, arregalados, esperando alguma outra surpresa, algum outro abraço meio sem querer.
então tá.
( let it be )
e a gente se abraça, se promete, se amarga. se frustra como nunca, como sempre, como hoje, anteontem, como depois de amanhã.
não adianta escapar pelas arestas, fugir pelos pergaminhos não escritos. não importa o tamanho da sua solidão, a intensidade do seu medo, cada dia é um novo dia, uma nova oportunidade.