Katatonia - UOL Blog
e normalmente essa seria a hora de chorar até não poder mais, de gritar pra quem quisesse ouvir, escrever até cada pedaço do seu cérebro doer; essa seria a hora de se anestesiar da melhor forma possível, de fingir sorrisos pra depois esconder as lágrimas no edredom.

mas eu não sei, me desculpe, eu não sei explicar, muito menos escrever; não sei como demonstrar cada parte dessa mágoa, cada cinza de angústia, cada aperto no coração, que parece suportar cada vez mais as piores coisas. não sei descrever a sensação do silêncio, mostrar o que é não sentir nada. como criar um muro, que impossibilita a entrada de qualquer sensação- uma trava pro sofrimento que seja. e vindo logo de quem, da mais sentimental de todas, que ao mesmo tempo sempre fez cara de durona. que sempre apoiou tudo e todos, que sempre criticou deus e o mundo por causas que as vezes nem importavam tanto assim.

dentro de cada pedaço de papel queimado, torturado, lá se vão as minhas mágoas, voando por um céu que não me pertence, porque ninguém teve paciência pra curá-las. ou aceitá-las.

a palavra mais difícil de ser (d)escrita.

pra não ser sempre na mesma rotina de ilusões...

viajar.
pra onde?
pra qualquer lugar longe de tudo.
ta, vou juntar dinheiro e a gente vai!
vamo.
vamo.

casa com rede, andar descalço, comer qualquer coisa, beber umas cervejas, contar historias, rir, brincar, fazer cócegas, carinho, beijos, olhares, sexo, música, soninho, deitar na rede e balançar com um pé, dormir abraçado, acordar, sorrir, beijo de bom dia, respirar fundo, respirar bem, fotografar, fazer cafuné, sair de mãos dadas...

ta na hora de voltar.
não queria.
nem eu.
tava com saudades.
eu também, muita.
me sinto melhor agora, mais feliz, aliviada.
eu também.
(sorriso, beijo)
te amo.
também.
vamo fazer de novo?
sempre.

(abraço)

tenho medo, não me pergunte porquê.

medo de andar sabendo sempre pra onde ir, de crescer tudo de uma vez- ou quem sabe já ter crescido. medo de descobrir certas coisas, de mexer em certas feridas. tenho medo do passado, do presente.
tenho medo do sempre, do nunca, principalmente do talvez. de ficar careta, carente. medo de ser esquecida como muitas vezes esqueci, de escrever demais. de menos.

medo de certas pessoas, das certezas, das críticas. das caras e bocas e dos comentários bondosos demais. medo da malícia, da maldade; das banalidades que servem nas bandejas de bebidas.
medo de fazer análise e perder a inspiração.

tenho medo de amar, de voar sozinha, de odiar. sair do ninho e não saber pra onde ir.
medo, medo de ter medo.



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