depois dizem que é loucura da minha cabeça, dizem que eu não tenho duas personalidades, dizem que não tem um anjo e um demônio morando no meu corpo, que não tem um lado impar e um lado par, que eu não tenho razão pra pular de um humor para outro, de um high para um low. eles tentam escapar mas não conseguem, não há uma maneira fácil e muito menos viva, de fugir de si mesmo. da luz e da escuridão, dos demonios na sua cabeça. vai um lithium?
"porque eu sei como é tentar se ajustar e não conseguir;
ferir por fora o que te mata por dentro"
então a gente vive, e se diverte, entre lágrimas e sorrisos de orelha à orelha; no meio de histórias infinitas, de dias inesquecíveis, sendo eles bons ou ruins. então a gente vive, amando, odiando, querendo, invejando. pensando e sonhando em coisas que nunca vão se realizar, mas nos prendemos tanto à todos esses sonhos que eles acabam acontecendo - não necessariamente do nosso jeito.
presos em caixinhas de fósforo, dependentes viscerais de um passado que nem se passou, buscando forças quando as risadas ecoam na cabeça, quando as pessoas aparecem à noite, quando ninguém mais pode te ouvir. buscando forças enquanto todos se divertem e você só quer ir pra casa ficar sozinho e chorar em paz. cantando as músicas que lembram cada detalhe, parece que ela foi escrita pra mim.
são só lembranças, e é lá que elas devem ficar... boas ou ruins, fazem parte de um pretérito que deveria ser perfeito, mas a gente sempre dá um jeito de reler o livro.
( você já se sentiu triste... ou achou que o trem andava quando ele estava parado?)