Faz tempo que não escrevo, mas hoje o farei pelo motivo errado. Escrevo agora pela força da vicissitude, do ego machucado e daquela saudade estampada no espelho retrovisor: “os objetos estão mais perto do que parecem”. Monitor e bites retrovisores de objetos inanimados e eu desarmado com a minha lira sem balas Procurei o que não sabia, achei o que não queria e lembrei de coisas que meu cérebro trabalhou tão bem pra esconder.
Memória é lixo
na mente dos poetas desarmados
Você disse que o tempo apagaria tudo isso, mas tem coisas que o tempo não muda, existem sentimentos que não acabam assim, a minha coleção de mágoas aumenta a cada dia, e será mesmo que você se importa? Você prometeu que ficaríamos juntos pra sempre, mas nunca me contou que o pra sempre sempre acaba. Você me deu um abraço,me envolveu, e disse pra eu nunca ir embora, mas você foi embora, você foi covarde, você teve medo e mentiu pra mim. Você acabou com a minha cabeça. Por que será que você fez isso comigo? Deve ser porque você sofre sozinho, porque você não tem amigos, você não conta com ninguém, você não liga pra ninguém e ninguém liga pra você. É tudo de mentirinha. E sabe, eu fui muito idiota de cair nesse seu joguinho doentio, você não sabe o que é amor, você mal sabe o que é sentir. Suas mãos são geladas, e eu tentei aquecê-las. Todo mundo erra.