Na chuva dos dias, meu nome vai fugir Escorrer pela terra, até que as plantas o suguem Aí ele será uma presença inaudível em todo lugar Como algo tão notório e que, por isso, não precisa se falar Sol sem brilho, luz sem cor
Descivilização
Porque a vida é passageira; e a morte, o trem
ouço passos e vozes que se distorcem numa infinidade de sons distantes e duvidosos. [assim como eu] sinto o que sinto que não sei, não sei explicar o tom da minha tristeza e o porquê da felicidade. [apatia] caminho pelos lugares aflita por um olhar. vejo como se já conhecesse tudo e todos. [não quero ficar] desejo o impossível e crio meu próprio mundo de glamour e cores berrantes. um mundo podre e fétido, mas que me sustenta, apesar da vontade de mudá-lo. me sustenta pensar. [pensar em que?] pensar no pensar, pensar no melhor e no pior. pensar neles e nelas. pensar em mim. pensar nos sonhos não realizados, nas idéias não concretizadas. pensar no que me faz bem. ou no que eu penso que faz. [esquecer] esquecer dos meus erros e dos erros dos outros. quem sou eu pra julgar? me ver livre do peso na minha consciência. eu tentei matar meus pensamentos mas eles ainda estão vivos. o meu coração ainda bate.
e eu não dou mais tanto valor à isso
Dá vontade de gritar pra todo mundo que eu não consigo mais alcançar os ponteiros do relógio. Que todo mundo mudou e foi embora. E eu fiquei pra trás. Vontade de receber um cafuné sem pedir. Um beijinho. Um abraço. Vontade de sair por aí, sem ter o que fazer. Mas feliz por tudo isso. Não aguento mais odiar o tempo. Ele já me odeia o suficiente.
(Mas ela precisa levantar-se da cama, enxugar os olhos, tomar um bom banho pra poder tirar o cheiro enjoativo de cigarros e bebidas que restou da noite anterior. Precisa abrir a porta sozinha, sem a ajuda de uns e outros, porque isso só depende dela*, abrir as cortinas, limpar o quarto e sentir o sol, por mais que ele a incomode. Precisa olhar nos olhos de alguém e dizer que ama muito esse alguém, com sinceridade, sorrir de verdade, abraçar cada uma das pessoas que estão perto dela e dizer o quanto são especias. Precisa aprender a chorar quando tiver vontade, pular, correr, mesmo que não tenha motivo nenhum pra fazer tais coisas. Cuidar de si mesma, curtir suas manias, seu jeito, seus interesses. Ela precisa se curtir, porque esqueceu que existe. Esqueceu de gostar das coisas, do dia, da noite, das pessoas, desaprendeu a amar pessoas novas, sem depender de músicas tristes, cortes no braço ou coisinhas viciantes que tirem-na da realidade. Respirou fundo. Estava cansada de tentar, tentar e tentar de um jeito imaginário, inexistente, precisava conseguir ficar bem pra provar pra si mesma que podia fazer as coisas sozinha.)
.Queria gritar, mas não consigo, queria chorar, mas não aguento, parece que existe um bolo de angústia dentro de mim. Frustração. Sei que não estou sozinha, mas me sinto como se estivesse, tenho vontade de explodir. Me sinto apática, minhas mãos são frias, quando eu sorrio sinto uma facada dentro de mim, porque afinal "tudo está sempre bem". É bom pensar que tudo está sempre lindo, mas de que me adianta sorrir e desfilar se quando eu volto pra casa choro sozinha num quarto escuro?.
minha música não muda o mundo na verdade os produtores enriqueceram e agora nem limpam mais a merda que fazem meu trabalho não muda o mundo sei que qualquer idiota letrado poderia mover tudo como meus superiores tanto gostam por bem menos que eu minhas palavras não mudam o mundo nada mais falta para ser dito, tudo perde-se num turbilhão de repetições e novas embalagens para o que já estava escrito há mais de dois mil anos
entretanto obstante continuo pois eu mudo o mundo muda e o mais, inalcansável, segue um trem bala em curso ao destino inconstantes turbilhões de mudança não se cruzam e ainda assim continuam o mais que faço mudo a mudança que insiste em modelar minha vida engrenagem quebrada curto-circuito palavras surdas
tudo mais, imutável, fluindo sempre the perennial harvest flow the unstoppable turn my eyes forever pale lying everywhere that leads to nowhere everywhere is here now
e eu não sei o que está acontecendo comigo.
todo mundo vive dizendo que eu sumo assim, de repente. será que é verdade?
não me encontro mais. parece que me perdi dentro de mim mesma, que não importa mais pra ninguém saber algo sobre mim.
eu sei que é mentira. mas mesmo assim,
cansei. cansei de procurar tudo e nada ao mesmo tempo. cansei de inventar objetivos banais só pra ver se me distraio.
brincar com meus próprios sentimentos.
"vou cheirar a minha angústia só pra ver se te encontro dentro de mim".
deve ser isso.
chega, chega, chega. tá na hora de acordar, menininha.
[acordar pra quê?]
.Porque você sabe como é difícil se separar de tudo.
Não sinto nada, minha cabeça está vazia, minhas mãos frias, mal sinto as palavras sairem de meus dedos tortos. O mundo lá fora é distante, irreal, meus olhos distorcem as visões. [cores e luzes se misturam, tudo parece se fundir num só fluido e você se junta a isso se tornando uma coisa só.as luzes berrantes, os passos desvairados, as formas tortas, o som estridente, tudo é tão romanticamente perfeito. Seu corpo encontra o tempo, o compasso exato, você se move como se não tivesse forma. o inconsciente toma conta da razão. tua mente se dilui. e tudo o que há é a energia. e tudo o que resta é energia. sua alma entrando em transe. o espírito se elevando. vivendo intensamente em todas as cores do universo. de resto, nada mais existe.]
se eu te apagasse da minha mente, como ficaria meu coração? se diséssemos adeus para sempre, será que o destino nos esbarraria? e será então que "felizes para sempre" não seria somente um sonho?
será que a vida realmente é uma estrada com caminhos diferentes a escolher, porém, com certos acontecimentos colocados sobre os dois? será que realmente tudo faz sentido? ou é mais confortável pensar assim?
será que nesse estado é mais fácil para eu crescer? mas e se crescer significa entender tudo em volta, menos você mesmo?
e se cada dia que passa sua mente se desorganiza mais e o tempo parece estar fora do seu controle? e se tempo não for remédio?
e se eu realmente nasci para inovar com meus pensamentos insanamente lúcidos? mas e se lucidez não existir e formos todos malucos? será que quanto mais admitimos nossas falhas, mais estamos perto da cura?
o que é a cura? o que é ser feliz? e quem é capaz de diagnositicar alguém? não deviamos nós ser os terapeutas da nossa própria loucura? mas e ai, o mundo seria completamente fora do lugar? mas ele já não é? será que existe resposta pra alguma coisa? será que eu sou uma menina mimada e teimosa que está se enlouquecendo? talvez seja só a época em que vivemos. ou talvez nada tenha explicações.
será que somos nós mesmos que escolhemos o mesmo?
e eu cansei de tentar entender o porquê
me sinto impotente diante do mundo. minha sede de saber é insaciável